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Sete unidades de saúde possuem pontos de coleta de medicamentos vencidos ou em desuso

Dandara Flores Aranguiz


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)/

Fazer o descarte de medicamentos vencidos ou que sobraram de algum tratamento jogando-os no lixo comum ou no esgoto doméstico não é uma boa solução. Os sistemas de tratamento de esgoto não conseguem eliminar algumas substâncias dos medicamentos, que acabam contaminando o meio ambiente. O que fazer, então, com os remédios que sobram na nossa casa?

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Foi pensando nisso que um grupo de alunos e professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criou um projeto de extensão que, desde 2016, busca orientar a população sobre o descarte consciente e adequado de medicamentos não utilizados.

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- O projeto inicial englobava fazer uma ação pontual na UBS Wilson Paulo Noal, em Camobi. Mas a farmacêutica da unidade gostou tanto da ideia que decidiu ampliar a iniciativa, e ela foi implementada em outras seis UBSs. Nós constatamos que as unidades não tinham um plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde e, portanto, não adiantaria colocar um ponto de recolhimento se não fosse ter o descarte correto - explica Valéria Maria Limberger Bayer, professora dos cursos de Medicina e Farmácia, do Departamento de Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

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Depois de elaborar o plano de gerenciamento para as sete unidades de saúde que faziam parte do projeto, as equipes das UBSs foram capacitadas, e os pontos de coleta receberam a identificação. Paralelamente a isso, o grupo desenvolveu cartilhas e material educativo para subsidiar as ações. O destino final é feito pela mesma empresa que já faz a coleta de material infectante nas unidades. O material é levado para o aterro sanitário em Capela de Santana, município da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Além disso, durante um ano, os alunos monitoraram os pontos de coleta, uma vez por semana, para traçar o perfil do que é colocado fora.

- Nós constatamos que os 10 medicamentos mais descartados eram remédios usados no tratamento de doenças crônicas. São medicamentos que a população recebe de forma gratuita e que são essenciais. E isso é altamente preocupante. Temos de elaborar nosso olhar para investigar as causas e elaborar ações mais pontuais com esses grupos - comenta a acadêmica de Medicina Rodayne Khuri.

RESULTADOS

Segundo a professora Edi Franciele Ries, que atua no mesmo departamento, 49% da população de Santa Maria faz o descarte adequado de medicamentos.  

- As pessoas são parcialmente conscientes. Mas, na Região Leste, onde realizamos o projeto, esse percentual ficou em 60%. Então, a gente vê isso como um possível impacto das ações de descarte nesses locais. Por isso, a importância de ser expandido para o resto da cidade - salienta a professora Edi Franciele.

DESCARTE DE MEDICAMENTOS VENCIDOS OU EM DESUSO

ONDE ENTREGAR?

  • ESF Arroio do Só - Junto à subprefeitura 
  • ESF Maringá - Rua João de Barro, 1.313, Bairro Diácono João Luiz Pozzobon
  • ESF Pains - Junto à subprefeitura
  • ESF São José - Rua Antônio Gonçalves do Amaral, 1.000, Bairro São José
  • UBS Walter Aita - Rua Luiz Petry, s/nº, Cohab Fernando Ferrari, Bairro Camobi
  • UBS Wilson Paulo Noal - Rua Monte Carlo, s/nº, Bairro Camobi
  • UBS São Francisco - Rua Santa Maria, s/nº, Residencial Dom Ivo Lorscheiter
  •  Farmácia Central - Rua Roque Calage, 55, Centro

CURIOSIDADES

  • 1 kg de medicamento contamina aproximadamente 450 mil litros de água
  • O descarte inadequado de resíduos coloca em risco e compromete os recursos naturais e a qualidade de vida das atuais e futuras gerações
  • Os medicamentos, mesmo em pequenas quantidades, causam danos ao solo, às plantas e aos animais. E, mesmo após o tratamento da água, os resíduos químicos não são eliminados
  • O Brasil está entre os 5 maiores consumidores de medicamentos do mundo
  • A maioria das pessoas descarta seus medicamentos vencidos na pia da cozinha, no vaso sanitário e no lixo doméstico
  • Guardar medicamentos vencidos pode gerar acidentes, como intoxicações


OUTRAS UNIDADES DE SAÚDE 

Agora, a ideia é expandir os pontos de coleta para o restante das unidades de saúde de Santa Maria a partir de 2019. O processo deve ser feito de forma gradual, com a elaboração dos planos de gerenciamento. 

- Sem a adesão das equipes, não funciona, pois os alunos não estão lá em tempo integral. É um trabalho de formiguinha, mas, se uma das pessoas passar a informação adiante e não fizer mais da maneira errada, a gente está atingindo o nosso objetivo. O propósito é imergir no ambiente deles, estar o mais próximo possível para levar a informação de acordo com cada realidade - destaca Valéria. 

Além da abordagem direta nas unidades, os estudantes visitam as casas dos pacientes junto com os agentes de saúde no interior do município. 

- A gente muda o discurso. A gente entende a rotina das pessoas, e elas dão valor a isso, ao que a gente fala e explica, pois se sentem valorizadas. Afinal, somos nós que, no futuro, vamos prescrever esses medicamentos - relata Annelise Alcântara, estudante de Medicina. 

O projeto de extensão concorre ao prêmio Inovasus 2018 como experiência de êxito em gestão do trabalho na saúde pública. A iniciativa do Ministério da Saúde irá premiar 10 projetos inovadores, com R$ 1 milhão, utilizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

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